Teerã/Tel Aviv, [13 de Junho de 2025] – Em um discurso de forte tom belicoso, o recém-nomeado comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Pakpour, prometeu nesta sexta-feira “as portas do inferno” e “consequências destruidoras” a Israel. A declaração surge como resposta a recentes ataques atribuídos a Israel em território iraniano, intensificando a já volátil situação no Oriente Médio. Em contrapartida, Israel anunciou uma mobilização massiva de reservistas em todo o país.
“O regime sionista, criminoso e ilegítimo, enfrentará um destino amargo e doloroso, com consequências imensas e devastadoras”, afirmou Pakpour, segundo informações da agência estatal Irna. Ele, que assume o comando após a morte de Hossein Salami em um ataque israelense, acrescentou que “As portas do inferno em breve se abrirão para esse regime”.
Contexto de Escalada e Tensões Duradouras
O ataque israelense desta sexta-feira (13) contra o Irã representa o ápice de uma série de ameaças proferidas há quase duas décadas pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, mesmo diante da possibilidade de irritar os Estados Unidos, principal aliado de Israel. Curiosamente, a escalada de tensões ocorre às vésperas de uma reunião programada para este domingo em Omã, entre representantes dos EUA e Irã, que visava avançar em um acordo sobre o programa nuclear iraniano.
O presidente Donald Trump, que na quinta-feira declarou estarem “bem próximos de um bom acordo”, manifestou preocupação com a ação israelense: “Não quero que eles interfiram, porque isso arruinaria tudo”. Netanyahu, por sua vez, um crítico declarado das negociações nucleares com o Irã, parece ter ignorado os alertas.
Especialistas, como Menahem Merhavy da Universidade Hebraica de Jerusalém, levantam a hipótese de um entendimento tácito entre Washington e Tel Aviv. “Duvido que Israel tivesse agido se os Estados Unidos tivessem dito um não claro”, ponderou Merhavy, sugerindo um possível acordo de “vocês negociam, e nós atacamos”.
De todo modo, o momento do ataque “faz sentido, já que Israel vem desgastando o Irã há um ano e meio”, complementou Merhavy, em referência às operações militares israelenses fora de seu território contra forças ligadas a Teerã desde o início da guerra em 7 de outubro de 2023, após o ataque do movimento palestino Hamas, grupo apoiado pelo Irã.
A obsessão de Netanyahu com o Irã precede o conflito atual. Desde dezembro de 2005, logo após as declarações do então presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad sobre “riscar Israel do mapa”, Netanyahu, então na oposição, já alertava para a “grave ameaça ao futuro” de Israel representada pelo programa nuclear iraniano. Naquela época, ele defendia “fazer tudo o que for necessário para impedir o Irã” de obter armas atômicas, inclusive por meio de ataques militares.
A situação permanece em alta voltagem, com observadores internacionais atentos aos próximos desdobramentos e às possíveis consequências na já instável região do Oriente Médio.
