Dias após afirmar, em tom de brincadeira, que poderia ser o próximo Papa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou polêmica ao publicar nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece vestido com trajes papais.
A imagem foi divulgada no último sábado por Trump em sua plataforma Truth Social e posteriormente republicada tanto em seus perfis oficiais no X (antigo Twitter) e Instagram, quanto na conta oficial da Casa Branca no Instagram. Nela, Trump aparece sentado em uma poltrona de aparência luxuosa, usando a tradicional batina branca dos pontífices, com uma mitra sobre a cabeça e uma grande cruz dourada pendurada no pescoço. Seu dedo indicador direito está erguido, apontando para o céu, enquanto a mão esquerda repousa sobre a coxa — postura que evoca uma tentativa de solenidade, embora tenha sido recebida com escárnio por muitos.
A publicação veio exatamente uma semana após o funeral do Papa Francisco, que faleceu recentemente. O momento da postagem aumentou ainda mais a controvérsia, sendo considerado por muitos como uma afronta à fé católica. Internautas reagiram com indignação nas redes sociais. “Trump está literalmente zombando do mundo cristão com essa imagem que compartilhou”, escreveu um usuário. Outro comentou: “Alguém ainda se surpreende com o fato de Trump ser tão descaradamente sacrílego? Eu não. Total falta de classe.” Um terceiro afirmou: “Como estrangeiro, considero essa postagem completamente desrespeitosa com a comunidade católica global — ainda mais em um momento de luto pelo falecimento do Papa Francisco.”
O gesto polêmico reacende discussões sobre o comportamento provocativo de Trump em temas sensíveis. Em conversa recente com jornalistas nos jardins da Casa Branca, o republicano chegou a dizer que “não teria objeções” em suceder o Papa falecido. “Eu gostaria de ser Papa. Essa seria minha primeira escolha”, disse, em tom descontraído, completando que não tinha preferência sobre quem deveria ser eleito como novo pontífice. Na mesma ocasião, mencionou um cardeal de Nova York como “muito bom”, alimentando ainda mais as reações irônicas e críticas.
Francisco, o primeiro Papa latino-americano da história, faleceu após anos marcados por tensões com governos conservadores, incluindo o de Trump. Apenas um dia antes de sua morte, o Papa havia recebido o vice-presidente dos EUA, JD Vance — um católico convertido de posições fortemente conservadoras. O encontro ocorreu dois meses após o pontífice criticar duramente a política de deportação de imigrantes promovida pela administração Trump, alertando para uma “grave crise” com desfecho preocupante.
Atualmente, cerca de 20% da população americana se identifica como católica. Segundo pesquisas de boca de urna, aproximadamente 60% desses eleitores votaram em Trump na eleição presidencial de novembro de 2024. O impacto de ações simbólicas como essa, portanto, pode ter efeitos políticos tanto de apoio quanto de rejeição.
Agora, o mundo aguarda o próximo passo no processo sucessório do papado. A partir de 7 de maio, 133 cardeais com menos de 80 anos de idade — vindos de diversos países — se reunirão no Vaticano em conclave, uma reunião secreta com o objetivo de eleger o novo Papa que sucederá Francisco.
